Abelhas são tão viciadas em cafeína quanto humanos

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Tem gente que não dispensa boas doses de cafeína ao longo do dia. Mas parece que os humanos não são os únicos viciados nesse estimulante. Uma pesquisa publicada na revista “Current Biology” sugere que as abelhas também adoram cafeína, encontrada em muitas plantas, principalmente como elemento para dissuadir insetos devoradores. No experimento da Universidade de Sussex, na Inglaterra, as abelhas se sentiram atraídas pelo néctar com cafeína, mesmo quando estavam “drogadas, saturadas” pelo composto.

Francis Ratnieks, membro da equipe de pesquisa, explicou que outros levantamentos haviam demonstrado que a cafeína impulsionou a memória das abelhas. Lembrou que a cafeína produz nas abelhas uma vontade de sempre querer voltar naquelas plantas que armazenam cafeína. E não porque querem e sim porque a substância faz com que elas sejam capazes de lembrar exatamente onde aquelas plantas estão.

Ainda de acordo com o pesquisador, o cérebro humano possui traços semelhantes quando comparado ao comportamento das abelhas.

DANÇA DAS ABELHAS

A equipe inglesa de pesquisa criou duas flores artificiais: uma com néctar açucarado sem cafeína e outra com uma concentração do composto semelhante ao encontrado em muitas plantas. E para registrar o comportamento de cada abelha individualmente, a equipe colou números de identificação minúsculos nas costas dos insetos.

As abelhas voltavam para o néctar com cafeína mais rapidamente. Porém, a descoberta mais surpreendente foi a de que a cafeína “fez elas dançarem” muito mais. É que depois de uma visita ao néctar com cafeína, as abelhas eram muito mais propensas a realizar o seu tradicional balanço (que é uma série de movimentos para comunicar a localização de uma fonte de néctar para seus companheiros).

— Ao dançar, elas estão se comunicando, algo como “encontrei boa comida” — explicou Francis. — A grande maioria das abelhas não faz a dança. Só faz para comunicar uma boa localização.

Assim, a cafeína teve um efeito semelhante ao de se drogar, como se a fonte de néctar fosse de melhor qualidade, mais rica em açúcar.

— É melhor para a planta produzir uma pequena quantidade de cafeína do que uma grande quantidade de açúcar — conclui Margaret Couvillon, outra pesquisadora, sobre a polinização. — A imagem clássica era a da relação mútua, onde o polinizador recebe uma recompensa da planta. Mostramos um conflito.

Fonte: Reuters

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