Apicultor da Bahia cria combustível feito de mel

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Numa experiência inédita no Brasil, um apicultor de Vitória da Conquista (BA) desenvolveu o combustível etanol do próprio carro a partir do mel de abelha, antes descartado durante o processo de controle de qualidade do produto.

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O apicultor Luiz Jordans abastece seu carro com o combustível de mel produzido por ele. Há um mês Jordans só utiliza este combustível

A descoberta do apicultor Luiz Jordans Ramalho Alves é o desdobramento de uma pesquisa que tinha por finalidade o melhor aproveitamento do mel de descarte para produção de álcool alimentício (ou nobre), usado para fazer cachaça ou aguardente de mel.

Segundo o apicultor, das 10 toneladas de mel que produz ao mês, entre 50 e 100 quilos acaba tendo de ser descartado. Só que ao invés de jogar fora, Alves foi acumulando o produto em seu entreposto de mel, localizado em Barra do Choça, município vizinho a Vitória da Conquista.

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Luiz Jordans mostra licor feito com álcool nobre, produzido a partir do mel. O combustível produzido pelo apicultor possui graduação alcoólica de cerca de 80%. Pelas normas da ANP (Agência Nacional de Petróleo), o etanol utilizado em veículos deve ter entre 92,5% e 94,7% de álcool

É no próprio entreposto que ele realiza todo o processo químico, num pequeno laboratório. Primeiro, o mel descartado entra em fermentação em um tanque de 250 litros, que pode durar de cinco a 15 dias. Após isso, ocorre a primeira destilação do álcool, por um período de 24 horas. Dessa primeira destilação é retirado o álcool alimentício e a sobra (30%) vai para a produção do álcool combustível, numa segunda destilação.

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O processo de obtenção do “combustível de mel” envolve três fases: uma de fermentação e duas de destilação

Persistência

A pesquisa, no valor de R$ 185.052,40, financiados pela Fapesb (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia), teve início em 2012 e o final da vigência em dezembro de 2014.
Mas a descoberta do álcool combustível, contudo, só ocorreu há cerca de um mês. É que as pesquisas ainda não tinham indicado o que fazer com os 30% de álcool que sobrava ao final da primeira destilação.

Insistente no desejo de aproveitar 100% de todo o descarte do mel, o apicultor avançou nas pesquisas por conta própria e com o auxílio de um laboratório de Salvador avaliou que o produto tinha características semelhantes ao etanol utilizado no funcionamento de veículos.

“Foi quando tive a ideia de usar o álcool no meu carro e funcionou”, conta Luis Jordans, revelando em seguida que o produto não passou por teste mecânico em laboratório: “Foi um teste empírico que fiz no meu carro”.

Economia

O combustível de mel, segundo Luis Jordans, possui graduação alcoólica de cerca de 80%. Pelas normas da ANP (Agência Nacional de Petróleo), o etanol utilizado em veículos deve ter entre 92,5% e 94,7% de álcool.

“O desempenho do carro diminui um pouco, mas dá para andar tranquilo”, relatou o apicultor. A produção de combustível de mel está em 50 litros por semana e ele consegue economizar ao menos R$ 117,5 durante os dias de trabalho em que roda com o carro (de segunda a sexta-feira).

O apicultor informou que o que ele produz de combustível de mel é o limite, e que não tem pretensões de produzir em larga escala.

O próximo passo agora, diz ele, é patentear o uso do combustível de mel em veículos, já que as pesquisas sobre este tipo de etanol no país ainda não tinham avançado neste sentido.

Na Fapesb, o trabalho do apicultor repercutiu bem. “Ficamos muito satisfeitos com as descobertas, sobretudo porque elas se deram após a vigência do contrato. Ele terá nosso apoio, inclusive para patentear a ideia”, afirmou o pesquisador Alzir Antonio Mahl, da diretoria de Inovação da Fapesb.

 

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